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Foto: Fernando Priamo

Impactos na mobilidade urbana

Por: Camily Cocati

O que aconteceu?

Em abril de 2025, o bairro Poço Rico, em Juiz de Fora, sofreu uma grande mudança. A passagem de carros pela linha do trem, que fica na Rua Pinto de Moura, foi fechada.

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Por que isso aconteceu?

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A mudança ocorreu devido a um contrato entre a prefeitura de Juiz de Fora e empresa MRS Logística, que viabilizava os custos da construção de um viaduto na cidade. Em tese, com essa construção, a passagem de nível não teria mais necessidade. Logo, seu fechamento diminuiria os acidentes de trânsito e não alteraria a vida da população.  Na prática, não foi o que aconteceu. 

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A obra impactou negativamente a vida da população. O comércio, a segurança, a mobilidiade e a qualidade dos serviços públicos foram citados pelos moradores como incômodos. Porém, a grande questão da população está na falta de consulta e no sentimento de abandono pelos orgãos públicos. 

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Passagem de nível fechada no bairro Poço Rico. Foto:  Reprodução/TV Integração

Como foi essa fechamento?

O fechamento aconteceu em etapas. Na linha do tempo você confere:

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Linha do tempo criada através do NotebookLM.

E a população?

Em nenhum momento a Prefeitura consultou a população da região sobre aquela mudança.

Porém, os moradores descobriram a mudança na manhã do dia 25 de abril de 2025, quando foram acordados com maquitas e placas de cimento na passagem.

O vereador de Juiz de Fora, Maurício Delgado (Rede), destacou o erro na falta de consulta populacional na Câmara Municipal. 

Afinal, a obra não trouxe nenhum benefício real para população. Na verdade, foram só danos.

Economia

Um dos principais pontos que foram prejudicados foi a economia do bairro. Com o fechamento da passagem, a rotatividade de carros e pessoas caiu de forma exagerada. Com a possibilidade de passar pelo viaduto, não há mais a necessidade de trânsito dentro do bairro.

Por um lado, a diminuição de movimentação pode ser boa. Mas, para quem já estava acostumado com o transito não. Ainda mais quem dependia disso para seu negócio.

Bruno Santos, 46 anos, é dono da padaria "Vigor", na Rua da Bahia, e já existe há 40 anos. Começou com seu pai e hoje, Bruno toca o negócio.

O comerciante diz que, depois do fechamento da passagem, o lucro caiu em até 40% e afetou drasticamente sua vida. Uma vez que, agora a venda dependia unicamente dos moradores do bairro

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Bruno, proprietário da padaria Vigor | Foto: Camily Cocati

Fim?

A padaria Vigor já é tradicional no bairro, por isso, detém a maior parte da clientela. Porém, diferente de Bruno, nem todos os comerciantes puderam contar com a "sorte".

Desde o fechamento da passagem de nível, 4 outros comércios do bairro Poço Rico fecharam. As lojas Artpuxe MDF, FormiAço, Allemand Design e a padaria Padoca do Pai foram exemplos de comércios fechados

As imagens foram retiradas do Google Maps, datadas de Julho de 2025, momento em que os estabelecimentos ainda estavam abertos.

Estabelecimentos fechados no bairro Poço Rico,

em Juiz de Fora. Foto: reprodução Google Maps

Mobilidade

Outro ponto que sofreu grande precariedade foi a mobilidade dos pedestres na região. Através da passagem do trem, era possível atravessar o bairro, que é cortado ao meio pela linha, a pé. Com seu fechamento, esse trajeto só se torna possível pelo viaduto. 

Porém, os problemas pioram. Passando pelo viaduto, o caminho se torna muito longo, e de carro, acumula muito trânsito.

Paulo César Filho, aposentado de 66 anos e morador do bairro, lamenta pelos moradores idosos, que dependem de carro para atravessar o bairro, visitar familiares e amigos ou até mesmo ir à padaria.

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Passagem de nível bairro Poço Rico. | Foto: divulgação

Relato de moradora

Cláudia Castilho é jornalista,  37 anos e moradora do bairro. Ela alega que a questão da mobilidade no bairro é o que mais impacta na sua voda. O trajeto de levar sua filha de 2 ano na escola, que antes demorava 5 minutos a pé, agora tem que ser feito de carro, o que leva no mínimo 15, de carro.

Outro problema

Outra questão que tem preocupado muito os moradores é o isolamento em que o bairro se enconyra. Devido a mudança., po acesso para o bairro se tornou muito restrito, sendo possível apenas pelo viaduto. Com isso, serviços públicos caíram a qualidade.

O policiamento na região diminui consideravelmente, por exemplo. Em caso de alguma ocorrência poplicial, a cheggada dos carros demora mais, assim como ambulâncias.

A moradora Cláudia Castilho, de 37 anos demonstra preocupaçaõ em relação a sua filha de 2 anos e seus pais, já idosos. Cláudia ainda argumenta que o aumento do trânsito no viaduto prejudicou a rotina de sua famílias. Em muitos momentos, a jornalista diz que prefere andar a pé, ir ao trabalho e buscar sua filha, porque é mais rápido.

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Cládia e sua filha Joana. | Foto: Acervo Pessoal

Limpeza 

De acordo com os moradores, outro ponto que sofreu foi a limpeza urbana do bairro, que diminuiu. A população do bairro se sente isoalda e abandonada pelo poder público e o aumento de sujeira na região é um dos pontos de evidencias o descuido. O morador Paulo César compara a frêquencia em que os garis faziam a limpeza no bairro e diz que diminuiu muito; "Nos abandonaram", alega o aposentado.

Justicativa

 o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb), responsável pela limpeza urbana de Juiz de Fora alega que: "houve uma alteração no cronograma operacional de serviços de limpeza urbana no bairro Poço Rico.

Mesmo com a alteração na escala de trabalho, o bairro continua sendo atendido regularmente por equipes do Demlurb por meio de serviços itinerantes, incluindo mutirões de limpeza realizados em ciclos de dois em dois dias, além de outras ações de manutenção urbana executadas conforme a necessidade operacional identificada pelas equipes técnicas.

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O Demlurb esclarece que a organização dos serviços de limpeza urbana considera diferentes critérios técnicos, como disponibilidade de equipes, demandas operacionais, necessidades específicas de cada região e atendimentos emergenciais. Nesse contexto, a situação do Poço Rico já vem sendo analisada pelos responsáveis pelo setor de varrição, junto à diretoria do departamento, para avaliação das demandas apresentadas pela comunidade.

s. O Demlurb destaca ainda que a área atualmente interditada e destinada à faixa ferroviária não integra a responsabilidade operacional do departamento. A limpeza, manutenção e conservação desse espaço competem à concessionária responsável pela malha ferroviária, a MRS Logística, cabendo à empresa manter a área em condições adequadas de limpeza e conservação

Segurança

O isolamento do bairro também afetou a segurança dos moradores. Com o fechamento da linha, o bairro se tornou menos movimentado durante  dia e noite. A falta de movimentação deixou a região muito deserta e despertou medo na populção. "Quando eu busco minha filha na escola, já está escuro e nunca tem ninguém na rua", disse Claudia, moradora de 37 anos. A insegurança também afeta os comerciantes, deixando seus empreedimentos mais vulneráveis. 

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Citação
 “Ao fazer essas intervenções, a gente não melhora apenas a mobilidade como melhoramos a convivência urbana. É uma grande notícia para Juiz de Fora”.

Prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão em anúncio de mais quatro viadutos para Juiz de Fora

O que foi entregue?

Apesar da boa intenção, as obras de mobilidade realizadas pela prefeitura de Juiz de Fora não tiveram o efeito desejado. O morador do bairro poço Rixo, Alexandre Reis, de 50 anos, é presidente da Associação de Moradores e Comerciantes do Bairro Poço Rico e é conhecido como"Bigode", alega que "os moradores só tiveram prejuízos, não ganhamos nada. De acordo com Bigode, O trânsito que deveria melhorar, piorou e problemas que não existiam, surgiram.

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Moradores do bairro protestando contra a obra

A principal melhoria prometida foi a diminuiçaõ de acidntes de trânsito envolvendo o trem na região. Bigode alega que, quando comparado com a quantidade de danos, esse beneficio não compensa.

O que poderia ser diferente?

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Se o problema dos acidentes de transito eram constantes, o que poderia ser feito para achar um meio termo? O mestre em transporte e consultor de mobilidade urbana, José Ricardo Motta Daibert, de 67 anos, arguementa que, para uma obra de mobilidade ter exito, ela deve partir da participação popular.

Ou seja, para que a mudança envolvendo o viaduto fosse realmente benéfica para seus usuários, eles deveriam ter sido consultados. Seja através de uma assembleia, pesquisa geral ou votação. Jose Ricardo afirma ainda que, o estudo de cada situação individual é necessário para a consolidação de uma obra.

GIF criado no site IMGFLIP atraves de um vídeo publicado pela prefitura de JF

 Reação da população

Diante de toda situação,  a populção do bairro Poço Rico se sentiu abandonada e isolada, o que ocasionou protestos na região. No dia 25/10/2025, cinco meses após o fechamento da passagem de nível, diversos moradores se agruparam onde foi fechado em protesto aquela decisão. 

A população, em sua maioria, luta pela reabertura da passagem e cobra mudanças por meio dos orgãos públicos.

Falta de escuta

Apesar dos apelos da populção, não foi suficiente para qualquer mudança. Na verdade, a reação dos orgaõs responsáveis foi pior. No mesmo mês da manifestação, a MRS acionou a Justiça, alegando risco aos manifestantes e operadores dos trens. A empresa disse não ser contra os atos, mas contra a presença na ferrovia. A PM chegou a ser acionada no dia do protesto.

O juiz proibiu manifestações nos trilhos em toda Juiz de Fora, com multa de R$ 10 mil por descumprimento e autorização para uso de força policial, se necessário. Uma audiência de conciliação foi marcada para fevereiro.

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Com isso, a população não foi ouvida e além disso, foi impedida de protestar.

Citação

 "O governo muitas vezes toma decisões isoladas, autoritárias e espera a reação da população que habita e circula- no lugar em questão. Com isso, a arte pública, muitas das vezes, nem é notada na paisagem urbana e, quando é, não vai além da apropriação por crianças que brincam sobre as mesmas."

Arquiteto Fabricio Teixeira Viana na dissertação "Monumentos, esculturas e espaços público: a imaginária urbana em Juiz de Fora/MG (1906 - 2016) 

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